Ler uma fábula sempre é agradável, lembra a infância, lembra desenhos animados. Procurando livros para a leitura diária noturna que faço para meu filho, encontrei numa estante discreta um título que me chamou, (Sim, os livros me chamam, piscam e até gritam.) O VENTO NOS SALGUEIROS de Kenneth Grahame, editado com a consultoria de Ana Maria Machado. Essa história fabulosa, nos conquista pela delicadeza e inteligência com que o autor constrói seus personagens e nos fala sobre amizade e os bons sentimentos que podem ser cultivados em nós. O sapo brejeiro, o texugo forte e gentil, o ratinho e a toupeira grandes amigos nos transportam para aquela delicada e ingênua das fábulas de uma maneira ágil e cativante. Terei saudades deles.
Prof. Luiz Claudio Bernardes de Magalhães
quinta-feira, 16 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
SAÚDE!
Um francês, muito bem humorado, chamado Olivier Douzou, escreveu um livro inspirado na história de O nariz (1835), de Nikolai Gógol - escritor russo, conhecido por sua narrativa sempre muito crítica e surpreendente.
Estou falando do livro O dariz, de Olivier Douzou, editado em 2009 pela Cosac Naify, com o capricho que é peculiar a esta editora. Um primor da Literatura Infantil. A história de um nariz com problemas só poderia ser contada de uma maneira: "endupido". Esta é a grande sacada de Olivier Douzou em O dariz. E, quando se está entupido, não há outra coisa a fazer a não ser assoar. É por isso que toda a trajetória do personagem nariz se dá à procura do grande lenço branco. O humor, sempre presente nos textos inteligentes de Douzou, é o ponto alto deste O dariz. Um dos grandes méritos do livro está na utilização de desvios de grafia para simular a pronúncia típica de alguém resfriado. Inclusive aquelas que indicam o tradutor, as notas e as referências:
“Tradução baulo nebes”
“cosacdayfy”
“bara Léa”
As ilustrações, marcadas pela simplicidade dos traços, são engraçadas como o texto. Vencedor do prêmio Baobab, (França, 2006), esse livro aponta para uma literatura que jamais pode ser esquecida por nós: aquela que trata de situações inusitadas, surpreendentes, totalmente inventadas, e por isso mesmo, fantásticas para todos, ainda mais um pouquinho para as crianças. Não há como não se divertir com esta história e os cinco narizes entupidos. Uma boa dica para aliviar a nossa realidade invadida pelo vírus vilão de uma gripe muito malvada.
Adriana Guedes
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Um motivo pra sonhar
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas.
Mário Quintana
Mário Quintana é o poeta mais bem humorado que conheço! Ele traz nos seus versos uma doçura e uma simplicidade tamanhas que contrastam, de forma irreverente e discreta, com sua sofisticada capacidade de nos fazer refletir sobre os assuntos mais profundos da condição humana. É poeta pra toda idade, pra toda gente.
O livro que apresento hoje, entretanto, como imperdível para a biblioteca de qualquer criança, a partir de um ano de idade, é O PRÍNCIPE SEM SONHOS, de Márcio Vassallo, com ilustrações inesquecíveis de Mariana Massarani, da editora Brinque-Book. Por que falei tanto em Mário Quintana? Porque Márcio Vassallo não esconde de ninguém sua admiração e inspiração pelo poeta e faz questão de mostrar isso em livros que ele mesmo organiza com poesias de Quintana. Vassallo herdou de seu mestre o talento para contar/escrever história e poesia para crianças de todos os tamanhos. Não, na verdade, só para aqueles que são capazes de entender com o coração e com olhos de “viajante”, como ele mesmo diria. O PRÍNCIPE SEM SONHOS nos conta a história de Thiago, um menino que tinha tudo “e, se tinha tudo, como poderia sonhar?” Bastava aquele menino-príncipe desejar e lá estavam os objetos desejados bem a sua frente. Ao contrário do que podemos supor, isso fazia de Thiago um menino infeliz. Queria sentir o gosto da conquista, das esperas, dos suspenses. Mas, os pais, preocupados com a tristeza do filho, exageravam ainda mais nos esforços para a realização dos seus sonhos.
Thiago decide, portanto, procurar seu avô-bruxo-aposentado que vivia muito longe daquele lugar. É ali, naquele sofá macio, numa varanda onde se pode ver um céu cheio de nuvens, que ele aprende a sonhar com seu avô: “seus sonhos são como as estrelas, menino. Eles estão aí, mesmo que você não consiga ver nenhum. Mesmo que as nuvens os escondam. Eles estão aí. Preste atenção: você já tem tudo o que quer. Mas ainda não é tudo o que pode ser.”
Fiquei pensando, depois de ler as palavras de Mário Quintana, na epígrafe deste texto, e imaginei que talvez ele seja esse avô-bruxo-aposentado de um menino-príncipe chamado Márcio Vassallo, que nós leitores desejamos que não pare de sonhar e escrever jamais!
Adriana Guedes
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Histórias para gente só
Algumas histórias parecem ter nascido para serem contadas, carregando em seus enredos o desejo da oralidade, do encanto da voz do contador; desejo das exclamações e interrogações que vão brotar no coração e no olhar de quem as ouve. 23 histórias de um viajante, que Marina Colasanti publicou em 2005 pela Global Editora, nos convoca, não para uma escuta atenta em torno da fogueira e rodeados de gente, mas, ao contrário, nos invade com o desejo de silêncio para uma leitura que será mais profunda quanto mais solitários estivermos.
O brilhante percurso literário de Marina Colasanti, principalmente para jovens e crianças, consagra-se neste livro, até mesmo nas suas ilustrações sutis e delicadas, fazendo-nos relembrar da Marina pintora.
Um príncipe, quando chegou à idade em que poderia mandar, assustado com as guerras, o sangue e a morte das pessoas queridas, decide construir muralhas “altas como despenhadeiros, escuras como rochas” para proteger-se de seu próprio medo. E assim vive grande parte de seus anos. Um dia, porém, diante da muralha, um cavaleiro tenta encontrar um ponto de entrada para aquelas terras, porque desejava continuar seu caminho. Seduzido pela coragem e liberdade do viajante, o príncipe permite sua entrada, mas o passante teria que contar histórias e notícias do mundo para aquele jovem monarca. Assim, como uma sherazade masculina, as histórias do viajante vão tecendo no imaginário do príncipe, e também dos leitores, uma narrativa cheia de impossíveis, carregada de significados que precisam ser sentidos, assimilados com uma leitura afetiva sobre o mundo, pouco lógica, que trata do que não se pode entender com linearidade. Cria-se em nós, leitores, uma vontade de decifração de palavras como chave, salamandra, porta, muralha, fogo, ninho, que ao longo das histórias vão sugerindo, similar ao que acontece com o príncipe, a descoberta de um novo caminho.
É encantador perceber, nas 23 histórias, as marcas dos contos de fadas, guardadas no nosso inconsciente e reveladoras de mistérios e conflitos que vivenciamos secretamente, em qualquer idade. Marina Colasanti não atualiza os contos de fadas, mas inventa novos e surpreendentes enredos que nos fazem, mais uma vez, pensar sobre o sentido da vida. Vale aqui uma atenção especial à 14ª história, “De muito procurar”, pela dimensão que o narrador vai apresentando sobre as diferenças entre o masculino e o feminino na forma de ver o amor, que, antes mesmo de nascermos, já pressentimos que será o que nos move” nesse mundão de Deus”, como diria nosso querido Guimarães Rosa.
Adriana Guedes
domingo, 27 de março de 2011
Le Petit Nicolas

Recomendo aos leitores do Mira o filme O pequeno Nicolau- Le Petit Nicolas. Nesse filme, Nicolas é um garoto muito amado pelos pais, que leva uma vida tranquila. Até o dia em ouve uma conversa entre seus pais, que o faz achar que a mãe está grávida. Nicolas entra em desespero e já pensa no pior: ao nascer um irmão, eles deixarão de lhe dar atenção. Para escapar de seu terrível destino, o menino faz campanha para mostrar a seus pais o quanto é indispensável e, por tentar agradá-los demais, acaba cometendo vários tropeços o que faz com eles fiquem enfurecidos com Nicolau. Desesperado, ele muda de tática e, com seus amigos desastrados, bola diversos planos para achar uma solução para seu problema.
Trata-se, portanto, de uma comédia francesa que acontece num ambiente escolar e que nos faz rir de situações cotidianas. É um ótimo filme para assistir em família. Até o pequeno Artur (meu filhote de 1 ano e meio) "assistiu". É possível dar boas risadas e perceber que, apesar de ser um outro contexto, podemos lembrar de nossas vivências na escola. Quem não imaginaria um Clotaire brasileiro? (um dos colegas de Nicolau, menino desatento, que costumava ficar de castigo e capaz de nos provocar boas risadas...)
Um abraço, professora Bernadete. Sala de Leitura tarde.
Um abraço, professora Bernadete. Sala de Leitura tarde.
sábado, 19 de março de 2011
Filme: Meu nome é Rádio
Indico o filme "Meu nome é Rádio". Esse filme é baseado em fatos reais e trata de um assunto importante para os dias atuais: o preconceito, a superação, o apoio mútuo, enfim vale à pena conferir!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Uma história de amor, coragem e muita aventura
Olá leitores,
Estava doida para compartilhar com vocês uma leitura deliciosa que fiz nas férias. O livro é Tobias Lolness - A vida na árvore, de Timotheé de Fombelle, editado pela Rocco. O livro conta a história de um menino de 13 anos , 1,5mm de altura, que vive numa árvore uma aventura empolgante sobre questões políticas, ecológicas e sociais. É uma narrativa inspiradora que nos mostra, a cada página, que não devemos desistir desse planeta e que é nas pequenas atitudes que iremos provocar grandes transformações.
Coragem , criatividade, determinação e muito amor são apenas algumas características desse jovem personagem que enfrenta toda sorte de perigos , mas que não desiste de fazer o que acha que é certo.
Coragem , criatividade, determinação e muito amor são apenas algumas características desse jovem personagem que enfrenta toda sorte de perigos , mas que não desiste de fazer o que acha que é certo.
Satisfação garantida tanto para o público infanto-juvenil quanto para o adulto, pois além da natrrativa impecável do autor, contamos ainda com as lindíssimas ilustrações de François Place.
Premiadíssimo, entre eles o prêmio Andersen, o mais importante na literatura infato-juvenil, Tobias Lolness aguarda por você, não deixe de conferir.
Até a próxima,
Mônica Scheer
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Thiago que te quero Thiago
Quando a lua cheia, radiante e teimosa invade o seu dia, no que você pensa? Quando uma melodia toma sua cabeça e espana a poeira de suas memórias afetivas, o que você sente? Quando um cheiro vem e te leva para a infância, o que você deseja? Se você pensa, sente e deseja, facilmente será envolvido pela poesia de Thiago de Mello. Lê-la é como sentar no quintal, num dia radiante de céu azul, e devorar um fruta suculenta, sem recatos, sem travas, deixando o sumo escorrer entre os dedos e a sensação doce e revigorante invadí-lo inteiramente. Simples, pueril, mas absurdamente essencial. Deste autor, encante-se com Poemas Preferidos pelo autor e seus leitores, publicado pela Bertrand Brasil. Depois desta leitura, você não não será igual.
Prof. Luiz Claudio B. de Magalhães (Kbeça)
Prof. Luiz Claudio B. de Magalhães (Kbeça)
Para quem gosta de arrepios
Gostaria de recomendar a leitura de uma breve coletânea de contos chamada "Contos de Arrepiar". Assinada por um autor que, "iluminadoramente", já esteve entre nós, Júlio Emílio Braz. Essa fustigante reunião de histórias aterrorizantes nos envolve em uma atmosfera tão bem elaborada que podemos visualizar os cenários, entrar nas narrativas e, inevitavelmente, nos surpreende com enredos inusitados. A editora é a Imperial Novo Milênio. Não deixe de saboreá-la.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A menina que roubava livros
"Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito." Essa é uma frase de Liesel Meminger, uma menina que roubava livros e que se depara com uma ambiguidade de sentimentos quando pensa sobre as palavras... Amar, odiar, ter medo ou raiva das palavras? Convido vocês a lerem "A menina que roubava livros" de Markus Zusak... Assim conhecerão uma parte da guerra e poderão concluir sobre o que sentir em relação às palavras....
Treicy Valeriana - Professora
Treicy Valeriana - Professora
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
RESSALVA
Versos... não
Poesia... não
um modo diferente de contar velhas histórias
Cora Coralina (Poemas dos Becos de Goiás )Poesia... não
um modo diferente de contar velhas histórias
Viva Cora!
Bjos a todos,
Adriana Guedes
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Descobrindo a arte de contar histórias
"(Um homem normal) talvez seja aquele que é capaz de contar a sua própria história. Ele sabe de onde vem (tem uma origem, um passado, uma memória em ordem), sabe onde está (sua identidade) e acredita saber onde vai (ele tem projetos e a morte, no final). Está, portanto, situado no movimento de um relato, ele é uma história e pode dizê-la para si mesmo." Jean-Claude Carrére.
É com esse pensamento que Regina Machado inicia o capitulo um do livro Acordais: fundamentos teóricos-poéticos da arte de contar histórias, publicado pela DCL.
Bernadete! Professora da Sala de Leitura (tarde)
É com esse pensamento que Regina Machado inicia o capitulo um do livro Acordais: fundamentos teóricos-poéticos da arte de contar histórias, publicado pela DCL.
Bernadete! Professora da Sala de Leitura (tarde)
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
A construção do escritor
“A educação é incompatível com a pressa. O tempo da alma é vagaroso.”
Rubem Alves
Aprender talvez traduza tudo o que nos move nesse mundo. E o tempo do aprendizado é único; exige coração, disposição, alegria e surpresas. Tornar-se um escritor também deve traçar caminhos. Conheço alguns e cada um descreve seu aprendizado de um jeitinho todo seu: “comecei a escrever quando encontrei a mulher amada”, “ comecei a escrever quando meu caminho ficou mais leve, ou foi o contrário?”, “ comecei a escrever porque sempre gostei de mentir, mentir muito e de sofrer também”...E todos são assim, nos fazem ver o mundo pelo buraco de uma fechadura que se fundamenta na curiosidade, no desejo, no olhar.
A mineira Stella Maris de Rezende, autora de diversos livros já publicados para todas as idades, lançou em 2007, pela editora Casa da Palavra, um livro que conversa com o jovem escritor: Esses livros dentro da gente. A autora vai dando as sugestões necessárias a alguém que pretenda tocar o outro com seu discurso ou mostrar a fechadura que passou despercebida para aquele menino ou menina mais avoados:
“Tem que reescrever um parágrafo umas quinhentas vezes. Procurar uma palavra certa durante meses. Apagar, substituir, refazer. Rasgar e embolar papéis, anos e anos a fio. Guardar alguma coisa aproveitável. Ter obsessão pela arte o resto da vida.”
“Tem que gostar de praças, de esquinas, de passagens subterrâneas, de portas secretas, de quartos fechados e de repente janelas abertas de par em par. Tem que saber o claro e o escuro. A sombra e a luz. A doçura e o ódio. A crueldade e a delicadeza.”
E assim vai correndo uma leitura cheia de encanto que não dá vontade de parar. Não foi à toa que esse livro foi premiado pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil como Altamente Recomendado. As ilustrações do uruguaio Eduardo Albini, que mora no Rio há mais de vinte anos, traz um quê de moderno, com técnicas diferentes, recortadas, pintadas, fragmentadas, e pra lá de significativas para o mundo da escrita. Sintonia pura.
Eu, particularmente, tenho lido esse livro todos os dias, embora exista uma dica que talvez me impeça de um dia ser uma boa escritora:
“Tem que saber lavar e passar roupa. Se souber cozinhar, melhor ainda. Predispõe a dar calor aos diálogos e um bom tempero ao conflito principal.”
Adriana Guedes
Uma narrativa repartida
Nasceu nosso blog! E com ele uma nova parceria, cheia de livros, filmes e histórias.
Para inspirar nossos inícios, segue o vídeo do filme de Eliane Caffé, de 2004, Narradores de Javé.
O filme Narradores de Javé propõe uma discussão sobre o desejo de comunicação, de permanência, de continuidade tão própria do ser humano e que se efetiva com a linguagem. A diferença entre uma linguagem que se afirma na oralidade e outra que se afirma no registro. Algumas histórias parecem ter nascido para serem contadas, carregando em seus enredos o desejo da oralidade, do encanto da voz do contador; desejo das exclamações e interrogações que vão brotar no coração e no olhar de quem as ouve. Contar uma história é narrar para viver, para seduzir e capturar o ouvinte. E a grande dificuldade para os moradores de Javé é entender que para cada discurso a memória vem recheada de suas próprias invenções. Discurso histórico e discurso ficcional, neste filme, travam uma divertida batalha e não podemos esperar vencedor.
Bom filme!
Adriana Guedes
Para inspirar nossos inícios, segue o vídeo do filme de Eliane Caffé, de 2004, Narradores de Javé.
O filme Narradores de Javé propõe uma discussão sobre o desejo de comunicação, de permanência, de continuidade tão própria do ser humano e que se efetiva com a linguagem. A diferença entre uma linguagem que se afirma na oralidade e outra que se afirma no registro. Algumas histórias parecem ter nascido para serem contadas, carregando em seus enredos o desejo da oralidade, do encanto da voz do contador; desejo das exclamações e interrogações que vão brotar no coração e no olhar de quem as ouve. Contar uma história é narrar para viver, para seduzir e capturar o ouvinte. E a grande dificuldade para os moradores de Javé é entender que para cada discurso a memória vem recheada de suas próprias invenções. Discurso histórico e discurso ficcional, neste filme, travam uma divertida batalha e não podemos esperar vencedor.
Bom filme!
Adriana Guedes
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