terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A construção do escritor


“A educação é incompatível com a pressa. O tempo da alma é vagaroso.”
                                                                          Rubem Alves

Aprender talvez traduza tudo o que nos move nesse mundo. E o tempo do aprendizado é único; exige coração, disposição, alegria e surpresas. Tornar-se um escritor também deve traçar caminhos. Conheço alguns e cada um descreve seu aprendizado de um jeitinho todo seu: “comecei a escrever quando encontrei a mulher amada”, “ comecei a escrever quando meu caminho ficou mais leve, ou foi o contrário?”, “ comecei a escrever porque sempre gostei de mentir, mentir muito e de sofrer também”...E todos são assim, nos fazem ver o mundo pelo buraco de uma fechadura que se fundamenta na curiosidade, no desejo, no olhar.
A mineira Stella Maris de Rezende, autora de diversos livros já publicados para todas as idades, lançou em 2007, pela editora Casa da Palavra, um livro que conversa com o jovem escritor: Esses livros dentro da gente. A autora vai dando as sugestões necessárias a alguém que pretenda tocar o outro com seu discurso ou mostrar a fechadura que passou despercebida para aquele menino ou menina mais avoados:

“Tem que reescrever um parágrafo umas quinhentas vezes. Procurar uma palavra certa durante meses. Apagar, substituir, refazer. Rasgar e embolar papéis, anos e anos a fio. Guardar alguma coisa aproveitável. Ter obsessão pela arte o resto da vida.”
“Tem que gostar de praças, de esquinas, de passagens subterrâneas, de portas secretas, de quartos fechados e de repente janelas abertas de par em par. Tem que saber o claro e o escuro. A sombra e a luz. A doçura e o ódio. A crueldade e a delicadeza.”
E assim vai correndo uma leitura cheia de encanto que não dá vontade de parar. Não foi à toa que esse livro foi premiado pela Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil como Altamente Recomendado. As ilustrações do uruguaio Eduardo Albini, que mora no Rio há mais de vinte anos, traz um quê de moderno, com técnicas diferentes, recortadas, pintadas, fragmentadas, e pra lá de significativas para o mundo da escrita. Sintonia pura.
Eu, particularmente, tenho lido esse livro todos os dias, embora exista uma dica que talvez me impeça de um dia ser uma boa escritora:

“Tem que saber lavar e passar roupa. Se souber cozinhar, melhor ainda. Predispõe a dar calor aos diálogos e um bom tempero ao conflito principal.”
Adriana Guedes

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